O que é um relatório GRI (explicado para quem nunca fez um)

Um cliente pergunta se o escritório pode ajudar a montar “um relatório GRI” e o contador finge que já sabe do que se trata, para depois pesquisar às escondidas antes da próxima reunião.

O que é um relatório GRI não é mistério nenhum, é apenas um padrão de organização de informação de sustentabilidade que virou referência mundial, e entender o básico leva menos tempo do que parece.

GRI é a sigla para Global Reporting Initiative, uma organização internacional sem fins lucrativos, criada em 1997, que desenvolveu diretrizes para padronizar como empresas relatam seu impacto ambiental, social e econômico. No Brasil, cerca de 72% das empresas que produzem relatório de sustentabilidade adotam o padrão GRI, segundo levantamento da KPMG.

Esse dado, sozinho, já justifica por que entender o que é um relatório GRI, e como ele se diferencia de outros modelos de relatório de sustentabilidade, vale a pena para qualquer contador que atenda empresa média ou grande no Brasil.

O que é um relatório GRI, na explicação mais simples possível

Imagine duas empresas do mesmo setor, cada uma descrevendo suas práticas de sustentabilidade do próprio jeito, sem nenhum padrão comum. Comparar as duas se torna quase impossível, porque cada relatório usa métrica e linguagem diferente.

O que é um relatório GRI resolve exatamente esse problema: é um documento que segue um conjunto comum de normas, permitindo comparar diferentes empresas usando a mesma régua.

O relatório não afirma que a empresa é sustentável. Afirma que a empresa organizou e divulgou, seguindo um padrão reconhecido, informações sobre seus impactos econômicos, ambientais e sociais, positivos ou negativos. A honestidade dessa divulgação é o que constrói credibilidade, não a ausência de pontos fracos no relatório.

Um relatório que só destaca conquistas e nunca menciona desafio ou ponto de melhoria tende, inclusive, a ser visto com desconfiança por quem já conhece bem o padrão GRI e sabe reconhecer um documento pouco transparente.

Como o relatório GRI é estruturado

O que é um relatório GRI fica mais concreto quando se entende sua estrutura modular, dividida em três tipos de normas. As normas gerais se aplicam a qualquer organização, independente do setor. As normas setoriais trazem conteúdo específico para determinados segmentos da economia. As normas temáticas cobrem tópicos relevantes específicos, como emissões, água ou diversidade.

Essa estrutura modular permite que a empresa monte o relatório de acordo com o que é realmente relevante para o próprio negócio, em vez de seguir uma lista genérica que não faz sentido para o seu contexto.

O princípio central que guia essa escolha se chama materialidade: relatar o que de fato é significativo para a empresa e para quem lê o documento, não tudo que teoricamente poderia ser incluído.

Entender esse conceito de materialidade é, talvez, o ponto mais importante de toda a explicação sobre o que é um relatório GRI, porque evita o erro mais comum: tentar cobrir tudo e acabar não aprofundando nada de fato relevante.

Relatório GRI essencial, abrangente ou referenciado

Existem três formas de aplicar o padrão. O relatório GRI essencial tem menos exigências e serve bem para empresas que estão começando a se organizar em torno do tema.

O relatório GRI abrangente é mais completo, com mais conteúdo obrigatório, indicado para empresas maiores ou mais maduras na agenda de sustentabilidade.

O relatório referenciado usa o GRI apenas como inspiração, sem seguir todas as normas à risca, o que tecnicamente não é considerado um relatório GRI completo, apenas um documento inspirado nele.

Para o cliente que está começando, recomendar o modelo essencial evita o erro comum de tentar produzir de uma vez um relatório completo demais para a maturidade atual da empresa, o que geralmente resulta em abandono do projeto pela metade. Explicar essas três variações já ao início da conversa evita a frustração de um cliente que esperava algo simples e se depara com uma exigência de dado que a empresa ainda não tem estrutura para coletar.

O que é um relatório GRI para o contador: também uma oportunidade de trabalho

A organização e estruturação de dados que sustentam o relatório, como indicadores econômicos, dados de consumo e informações sobre colaboradores, é um trabalho de coleta e sistematização que a formação contábil já prepara bem. O contador não precisa ser especialista ambiental para ajudar nessa etapa inicial de organização.

A GRI recomenda que o relatório final passe por auditoria de terceiros antes da publicação, especialmente quando a empresa busca o certificado de nível de aplicação.

Essa etapa de auditoria costuma exigir parceria com consultoria especializada, mas a fase anterior, de coleta e organização de dado, pode perfeitamente ser conduzida pelo próprio escritório de contabilidade, e é justamente essa fase que responde na prática o que é um relatório GRI para o dia a dia operacional de quem vai produzi-lo.

Por onde começar a orientar o cliente

Antes de qualquer produção de relatório, vale mapear com o cliente quais temas são realmente relevantes para o negócio, através de conversa com stakeholders internos e externos. Esse processo de materialidade evita que o relatório vire uma lista genérica de boas intenções, sem conexão real com o que a empresa faz no dia a dia.

Um exercício simples para começar essa conversa é perguntar ao cliente: quais três temas de sustentabilidade, se ignorados, trariam o maior risco reputacional ou operacional para o negócio? A resposta a essa pergunta já revela boa parte do que precisa entrar no relatório, mesmo antes de qualquer consulta formal a stakeholder.

Entender o que é um relatório GRI de forma prática, começando por essa pergunta simples, tira o peso de um tema que parece complexo à primeira vista.

Vale também deixar claro para o cliente, desde o início, que o relatório GRI não precisa ser perfeito na primeira versão. As diretrizes da própria GRI incentivam a evolução contínua entre um ciclo de relato e o seguinte, o que significa que a primeira publicação pode ser mais simples, essencial, e cada nova edição incorpora mais profundidade conforme a empresa ganha maturidade no tema.

Se o seu escritório já recebe esse tipo de pergunta e quer se preparar para orientar clientes sobre relatório de sustentabilidade, esse é um bom ponto de partida técnico antes de avançar para temas mais complexos como ESG e certificação.

A equipe do Meu Marketing Contábil ajuda escritórios de contabilidade a comunicar o que é um relatório GRI de forma clara para os clientes.

Fale com a gente e transforme esse conhecimento em uma nova frente de atuação.

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